Eu não confio na urna eletrônica e você também não deveria

urna_eletronicaEste ano serei mesária pela 4ª eleição seguida. Sempre observei muito bem o funcionamento do processo eleitoral, principalmente no que diz respeito ao funcionamento da urna eletrônica. Cheguei a conclusão de que não acredito e muito menos confio na urna eletrônica como sendo um método confiável para votação, embora digam que ela é extremamente segura e confiável e que em lugar nenhum do mundo conseguiram imitá-la. Vou explicar para vocês como ela funciona e o porquê de eu não acreditar nela.

O funcionamento da urna eletrônica na eleição

urna_eletronica_componentesNa seção eleitoral, nós que trabalhamos como mesários recebemos a urna lacrada, e nós mesmos montamos ela na mesa. Basicamente ela é composta de três equipamentos: a própria urna, uma espécie de controle remoto (microterminal) e uma pequena impressora. A urna só começa a funcionar a partir do horário oficial determinado para o início da votação. Da mesma forma, ela para de funcionar ao chegar no horário indicado como fim da eleição.

Quando você chega para votar e nós pegamos o seu título eleitoral, nós digitamos o número dele neste controle remoto. Se o número for encontrado no banco de dados da urna, nós apertamos um botão que libera a urna para que você vote nela. Neste banco de dados da urna estão cadastrados todos os títulos dos eleitores que votarão naquela seção, ou seja, se você estiver designado para votar em outra seção, nós não conseguiremos liberar a urna para você votar lá.

Seu voto NÃO é secreto

Depois que você digita os números do seu candidato e aperta a tecla “CONFIRMA”, a urna computa este voto, e é a partir desta parte do processo que surge a minha desconfiança. Ao final do dia, após todos votarem, o presidente da seção eleitoral imprime através da urna um relatório contendo o número de votos que cada candidato obteve, ou seja: quando a eleição acaba, nós sabemos quem foi o candidato eleito para cada cargo pelas pessoas que votaram ali, bem como a contagem de votos de cada candidato.

Com essas informações pode-se obter várias estatísticas, como por exemplo, qual foi o candidato eleito em um determinado bairro de classe baixa. E é se aproveitando deste tipo de informação que políticos como o deputado Roberto Santiago pode se aproveitar para comprar votos. Vou contar o que ele está fazendo.

Como a urna eletrônica é utilizada para a compra de votos

Acabei de ver no excelente Jornal do SBT que o candidato a Deputado Federal (e já ocupa o cargo atualmente), Roberto Santiago do Partido Verde (PV), está oferecendo tratamento dentário em um bairro pobre de São Paulo a troco de votos. Um repórter foi disfarçado até o local, ganhou adesivos e santinhos do candidato após realizar um cadastro contendo extensos dados pessoais, e a mulher que forneceu o material de campanha a ele garantiu que ele seria atendido por uma dentista que se encontrava em um trailer. Ele entrou no trailer e foi atendido pela dentista, que confirmou que o político em questão era quem financiava o atendimento. Assista a reportagem abaixo:

Políticos como este cidadão podem se aproveitar das informações contidas neste relatório da urna eletrônica para saber se as pessoas daquela localidade realmente votaram nele. Afinal, se fosse verdade que não há como saber quem votou em qual candidato, também não haveriam motivos para querer comprar votos. Afinal, o político poderia comprar o voto e o eleitor votar em outra pessoa sem qualquer tipo de problema.

O quê estão escondendo de você

De volta ao processo de votação, logo depois que você vota, seu título eleitoral fica “bloqueado”, o que significa que não há como você votar mais vezes. Da mesma forma que a urna grava a data e a hora em que você votou, ela também pode estar associando o seu título de eleitor, que é um número único (não existem títulos de eleitor “duplicados” no Brasil. os números são únicos no país inteiro), e isto é uma tarefa completamente simples do ponto de vista computacional. Se você tem um amigo que é programador de sistemas, pergunte a ele sobre o que estou falando e ele vai confirmar a simplicidade da tarefa.

Resumindo: com o número do seu título de eleitor é possível obter seu nome completo, CPF, RG, endereço, e-mail, quanto você ganha no seu trabalho, sua declaração de imposto de renda, quantos filhos você tem, o valor da fatura do seu cartão de crédito e quaisquer outras informações que contenham o número de algum documento seu.

Ninguém nunca pegou uma urna eletrônica e “abriu” ela para ver quais dados exatamente estão sendo guardados, e se alguém já o fez, o resultado disso não foi divulgado. Não há como confiar que um governo composto de personalidades apócrifas como Lula, Zé Dirceu e Dilma, entre outros, esteja dizendo a verdade ao divulgar que nossos dados não são associados ao número do candidato no qual votamos. Sendo assim, a forma antiga de votar, utilizando as cédulas, continua sendo o único método legítimo de voto secreto.

identificação Biométrica: a nova geração da urna eletrônica é um meio ainda mais simples para comprar votos

Agora pode ficar mais simples ainda saber em quem você votou. Todos nós teremos nossas digitais cadastradas e o governo está criando um documento único que substituirá os atuais RG, CPF e Título de Eleitor (também é possível substituir outros documentos como passaporte ou CNH). Fazendo isso, agora você vai precisar apenas colocar seu dedo no leitor biométrico para poder votar. Nesta eleição, 1 milhão de eleitores já votarão utilizando suas digitais.

O quê você não deve saber é que, com material que você possui na sua própria casa, é muito fácil enganar o leitor biométrico. Para isso, basta “clonar” a digital do seu dedo utilizando cola de silicone!

urna_eletronica_biometricaEste método para enganar o leitor já vem sendo utilizado há muito tempo pelas auto-escolas, que utilizam o leitor biométrico do sistema do DETRAN para confirmar a presença de seus alunos nas aulas. Se o cara não quer ir fazer as aulas porque “já sabe dirigir”, é só clonar a digital dele e colocar no leitor, forjando a presença do aluno.

Atualmente já há leitores biométricos que verificam a pulsação do corpo da pessoa, ou seja, se você colocar um dedo morto nele, este tipo de leitor não aceitará a digital. Contudo, estes modelos ainda são muito mais caros e não tão precisos apesar de a idéia ser boa, e como não estão sendo utilizados nem pelos DETRANS onde já foi comprovada a fraude, não acredito que serão utilizados nas novas urnas.

Assim fica bem mais fácil comprar votos: o político paga pelo voto, copia a digital do eleitor e suborna os mesários para que eles passem as digitais lá e votem nele. Se não quiser ou não conseguir subornar os mesários, ainda é possível pagar para que pessoas com falsos RGs vão até a seção eleitoral, coloque a digital “clonada” na urna e vote neste político.

Você que leu este texto até aqui deve estar imaginando o quê eu vou propor para que as fraudes parem, ou para que este processo utilizando a urna seja feito de forma mais transparente. Depois de ver as mentiras nas propagandas dos horários eleitorais e as pesquisas que mostram que o brasileiro está votando em quem já ferrou ele anteriormente, não tenho a menor intenção de mostrar indignação ou esboçar qualquer outro tipo de atitude em relação ao assunto. O brasileiro não sabe votar mesmo, então até é possível que os resultados manipulados estejam sendo melhores que os resultados dos votos verdadeiros.

Dividi estas informações com vocês apenas para que saibam o tamanho da sujeira por trás dessa maquininha do apocalipse. O quê vocês farão com esta informação só diz respeito a cada um de vocês.

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